terça-feira, 26 de abril de 2016

Toyama Sushi Bar - Restaurante Japonês em São João Del Rei - MG

Você mora em São João Del Rei e ama comida Japonesa? Então visite o Toyama Sushi Bar! 


         Restaurante bom, Comida boa, atendimento diferenciado. Típico Japa!




Ambiente:








Cardápio:


São João Del Rei - MG
Av Leite de Castro - 769 - Fábricas - Tel (32) 3372 7570
Aberto de: 19:00 às 23:30.




Não deixem de fazer uma visita! Se já foi, deixe nos comentários o que achou! 


quinta-feira, 24 de março de 2016

O Jovem que engana o Enganador Tanuki (Parte 02)

   Na manhã seguinte, constatando que o garoto Hikoichi e a mãe trabalhavam arduamente na lavoura para não perder a época de semear, o tanuki ficou escondido entre os arbustos para observa-los com toda paciência e calma, com seu olhar astuto e vivaz. "Não brinca em serviço, o menino!", pensou ao ver a terra belamente preparada para plantio. De repente, teve uma ideia que considerou brilhante. "Claro, como não pensei nisso antes? Isso sim vai deixar o Primeiro dos Inteligentes abestalhado e muitíssimo irritado. Vai ter um faniquito e praguejar mais que ogro Vermelho desfeiteado por ogro Azul!"
   Assim que o garoto e a mãe terminaram o trabalho, apanharam as ferramentas e foram embora. O animalzinho aguardou mais um pouco para que a noite caísse e então colocou seu chapéu de bambu contra qualquer desastre imprevisto e pôs seu plano em ação. Sob a luz da lua se pôs a recolher todas as pedras que havia na região e foi carregando e jogando sobre a plantação de Hikoichi.
   - É curioso que, sem ser forçado, uma criatura saia em busca de trabalho. Só mesmo num caso destes - exclamou ele, divertido, olhando os canteiros cobertos de pedra e prosseguiu, movendo irrequietamente sua cauda afunilada no afã de concluir com êxito sua pesada, mas divertida, tarefa.
   Ao amanhecer, o animalzinho já estava de língua de fora, tamanho era o cansaço. Deu um gole no seu saquê incentivador e , com um sorriso na cara deslavada, ficou se deliciando, olhando o belo resultado de seu trabalho: não havia um centímetro de terreno descoberto. A lavoura de Hikoichi parecia mais uma pedreira do que uma terra para cultivo.
   - Eis um desaforo digno de um tanuki como eu!, vibrava o texugo apertando contra o peito o seu chapéu de bambu. - Amanhã cedo quando o Primeiro dos Inteligentes se deparar com todas essas pedras vai virar bicho com a mesma facilidade com que eu viro gente.
   Apesar do cansaço, o animalzinho se pôs de guarda, com os olhos vidrados na porta da casa do garoto a espera de que ele despontasse. Não iria perder por nada no mundo o gosto de se deliciar vendo o rosto crispado de ódio e irritação do rapaz.



   Juntamente com o sol surgiu Hikoichi, assobiando e com seu grande chapéu de mino (palha) pronto para plantar milhos nas terras já cultivadas.
   Assim que se deparou com a lavoura coberta de pedras, como se tivesse chovido granizos do tamanho de um tamanco, não teve a menos dúvida que essa canalhice era obra do texugo. Sabendo da sua estratégia de que quando fazia maldades ficava a espreita para saborear o resultado, o garoto, com as mãos em concha, gritou para a mãe que ainda estava dentro de casa.
   -Nem precisava vir trabalhar, mamãe que uma boa alma já fez o trabalho por nós. Pode continuar dormindo que nossa plantação está inteiramente protegida por pedras. Que sorte a nossa! Imagine se tivessem jogado estrume de cavalo ou gado ao invés das pedras, ia ser um deus-nos-acuda remover toda a merda, com aquele fedor horrível. E assim Hikoichi voltou assobiando para casa parecendo muito satisfeito.
   - Seu filho de uma leitoa gorda!, xingou entredentes o texugo de orelhas muchas, ante o inesperado desfecho e saiu com o rabo entre as pernas para curtir seu fracasso e sua frustração no escuro de sua caverna onde permaneceu deprimido durante o dia inteiro.
   Aguardou que anoitecesse e então voltou para retirar todas as pedras que havia jogado na lavoura. Quando chegou ao fim, estava arrastando as pernas de cansaço e já tinha até perdido sua adorável barriguinha saliente. Mas era tanta a sua gana por vingança, que ele redobrou os esforços e lançou-se de corpo e alma em busca de todo o estrume de cavalo e de gado que havia nos estábulos da redondeza. E o fez tal gana que em algumas boas horas os estábulos da região se encontravam mais limpos do que aqueles lavados por Hércules e a lavoura inteiramente coberta de estrumes.
   - Que fedor! Mas valeu muito a pena, dizia ele, colocando as mãos bem longe do nariz. O Primeiro dos Inteligentes vai ter um tremendo e terrível piripaque quando acordar. Há de soltar pragas no último grau de histeria, vociferar e amaldiçoar todas as legiões de demônios de trás para frente.
   Após o trabalho concluído, o tanuki foi para a mata tomar um bom banho e descansar. Tal era a sua exaustão que caiu duro de sono e dormiu por três dias seguidos, sem nem conseguir ver o resultado que sua obra causaria no menino.
   Meses depois, chegou a época da colheita nas terras da família de Hikoichi. Para a surpresa de toda a aldeia, a lavoura da mãe de Hikoichi apresentou, de longe, o melhor resultado de toda região.
   - A colheita foi excelente, mãe, graças ao adubo que o tanuki espalhou generosamente em nossas terras!, exclamou Hikoichi sob os ouvidos desesperados do tanuki que, desta vez, se encontrava por perto.
   Ouvindo isso, o texugo saiu de fininho, completamente arrasado, voiciferando entredentes "Seu fedorento rato-preguiçoso, filho de uma ratazana gorda!" e foi curar sua frustração e abatimento entre as pedras de sua caverna na floresta. Ali se pôs a arquitetar um novo plano para enganar o menino, mas nenhuma ideia vinha a sua mente aborrecida. Estava nesse desânimo quando ouviu uma voz que o chamava: - Hei, tanuki-san, trouxe-lhe milho cozido, em agradecimento pela ajuda nas nossas terras. Nossa safra foi magnifica graças a sua ajuda!
   De cara amarrada, recebeu ele os milhos cozidos e se pôs a come-los. "Afinal, o que eu queria mesmo era chamar a atenção do garoto e consegui!", consolava-se a sim mesmo enquanto roía, numa metralha de esquilo, o seu amargo milho.
   Deu um gole de saquê da garrafinha que tinha sempre consigo, para engolir melhor. Dois tapinhas na barriguinha de barril e arrotou como nenê gordo. Depois ficou se abanando com seu leque colorido, enquanto maquinava, com ânimo renovado, um novo plano de tapear o rapaz até deixa-lo mais irritado do que um samurai insultado de "maricas" por um camponês bêbado.




   Até hoje, no Japão, as lojas de bebidas têm nas suas portas um tanuki empalhado ou uma estátua dele, em sinal de que ali se vende saquê e demais bebidas alcóolicas. A tradição japonesa acredita que somente com a presença desse divertido animalzinho, é possível fabricar o delicioso vinho feito da fermentação do arroz.



Fonte: Livro, As Melhores Lendas Japonesas.